Fortes explosões sentidas em Doha
O Catar afirmou esta terça-feira que o Irão continuou os seus ataques às suas infraestruturas civis, no décimo primeiro dia da guerra no Médio Oriente.
O Catar alertou esta terça-feira para as consequências económicas globais dos ataques às infraestruturas energéticas.
"Os ataques a instalações energéticas que ocorreram, de ambos os lados, constituem um precedente perigoso (...) terão repercussões em todo o mundo", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Catar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa em Doha.
Israel lançou nova vaga de ataques contra Teerão
O exército israelita anunciou esta terça-feira que lançou uma nova série de ataques contra Teerão, depois de atingir um complexo subterrâneo pertencente à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) na capital iraniana durante a noite.
As explosões foram ouvidas no centro de Teerão, enquanto os meios de comunicação iranianos relataram explosões em vários bairros da capital.as na capital iraniana.
ONU está pronta para trabalhar no Irão. Só precisa de segurança
As Nações Unidas estão atentas à crise humanitária no Irão, agravada pela guerra. A diretora do Fundo das Nações Unidas para a População, Mónica Ferro, garante que as equipas estão prontas a avançar - mas é preciso garantir-lhes condições.
A diretora do Fundo das Nações Unidas para a População, Mónica Ferro, manifesta a preocupação da organização sobre esses números - uma inquietação que se intensificou há mais de uma semana, depois dos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.
"O impacto humanitário desta crise está a ser tremendo", disse Mónica Ferro à Antena 1.
A guerra no Irão - que se estendeu, entretanto, ao Líbano - deverá intensificar um cenário já difícil na região. As Nações Unidas estão prontas para entrar no território e ajudar quem precisa, mas Mónica Ferro não deixa de apontar as condições necessárias para essa incursão: financiamento e segurança.
"Nós estamos a acompanhar de muito perto, todo o sistema das Nações Unidas, os desenvolvimentos relacionados com as deslocações no Irão e em toda a região. As equipas estão prontas a responder, mas para isso precisam não só de capacidade operacional, mas também de financiamento e de que haja alguma segurança para que possam trabalhar", afirmou. Antena 1
A situação complica-se quando os países vizinhos, que já acolhiam milhões de deslocados, sofrem com os estilhaços da guerra. E mais: controlos de residência rigorosos e um crescimento das deportações, estão a acentuar o movimento populacional no Médio Oriente. Tudo isto, explica Mónica Ferro, "está a aumentar o impacto sobre as pessoas de uma forma mais rápida do que temos visto noutras crises".
Há, de resto, outra dimensão do conflito que aflige a ONU: o desfoque, provocado pela guerra, de outros problemas noutros pontos do globo.
"Esse é um dos grandes dramas do nosso trabalho nas Nações Unidas. É que de cada vez que há uma crise a atenção do mundo recentra-se e nós não podemos deixar de olhar e deixar de cuidar daquilo que muitas vezes até são designadas como crises esquecidas ou crises demasiado longas. A atenção significa, também, a alocação de recursos financeiros e pressão política para que estes conflitos sejam resolvidos. E nós, neste momento, temos uma série de crises em que [é necessário] angariar fundos e angariar esta vontade política para que os conflitos cessem, para que haja uma desescalada das tensões para que nós possamos trabalhar", considerou Mónica Ferro na rubrica Ponto Central, da Antena 1.
Para trás, por exemplo, ficam as crises do Sudão, do Haiti, ou a agenda de combate à violência contra as mulheres. São os efeitos colaterais da guerra nova.
Propostas de Putin sobre o Irão ainda em cima da mesa
O presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu diferentes opções para mediar o conflito com o Irão e estas propostas ainda estão em discussão, afirmou o Kremlin esta terça-feira.
"A Rússia está pronta para ajudar da melhor forma possível e terá todo o prazer em fazê-lo, mas vocês sabem que isto requer múltiplos entendimentos e múltiplos acordos, por isso teremos de ser um pouco pacientes."
Peskov falou um dia depois de Putin ter conversado ao telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, e, segundo o Kremlin, ter partilhado propostas para acabar rapidamente com a guerra no Irão.
Peskov recusou-se a dar mais detalhes sobre o conteúdo das propostas.
Irão com a última palavra para cessar-fogo
O Irão garante que está em vantagem no conflito e diz que não aceita, para já, qualquer cessar-fogo.
Segundo o governante, “a decisão de parar a guerra cabe, em última instância, à República Islâmica do Irão. Se a República Islâmica do Irão assim decidir, mesmo que o outro lado pare, a decisão final pertence ao Irão, porque foram eles que comentaram a agressão".
Israel ataca região libanesa de Tiro
O exército israelita realizou um ataque esta terça-feira perto da cidade costeira de Tiro, no sul do Líbano, depois de ter avisado que iria visar infraestruturas do Hezbollah na região e instar os residentes a evacuar o local, segundo os meios de comunicação estatais.
Azerbaijão envia ajuda humanitária ao Irão
O Azerbaijão anunciou esta terça-feira o envio de ajuda humanitária para o Irão, um sinal tímido de alívio das tensões poucos dias depois de um ataque com drones que aumentou os receios de que a guerra no Médio Oriente se pudesse alastrar ao Cáucaso.
A República Islâmica negou a responsabilidade pelo ataque e acusou Israel, aliado do Azerbaijão, de estar por trás do mesmo.
Apesar do incidente, o Ministério das Situações de Emergência do Azerbaijão anunciou o envio de várias toneladas de alimentos e medicamentos para o Irão como ajuda humanitária.
O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e o seu homólogo iraniano, Massoud Pezeshkian, falaram por telefone no domingo. Aliyev pediu a Pezeshkian que investigasse o ataque com drones, segundo Baku.
Os dois líderes discutiram ainda a cooperação económica entre os dois países, o que indica que não desejam que a crise se agrave.
O Irão acusa Israel, o principal fornecedor de armas de Baku, de utilizar o território azeri para realizar operações de inteligência e alegados ataques.
Em junho de 2025, Baku garantiu a Teerão que o território azeri não seria utilizado para atacar o Irão, após os primeiros ataques em grande escala entre os EUA e Israel contra a República Islâmica.
Explosão sentida em Jerusalém após alerta de mísseis iranianos
Uma explosão foi ouvida na manhã desta terça-feira em Jerusalém, onde soaram sirenes de ataque aéreo após um alerta militar israelita para mísseis iranianos, informaram jornalistas da AFP.
A Magen David Adom, equivalente israelita da Cruz Vermelha, informou que não houve vítimas.
Comissão Europeia quer "monitorizar de perto" efeito de desconto no ISP
"No âmbito das recomendações específicas por país de 2025, o Conselho recomendou a Portugal que reduza a dependência global dos combustíveis fósseis, em particular no setor dos transportes, nomeadamente através da eliminação gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis. Por conseguinte, a implementação de medidas como a redução das taxas unitárias do ISP, bem como o seu impacto, será acompanhada de perto e avaliada no contexto do Semestre Europeu", adiantou fonte do Executivo comunitário em resposta escrita remetida à agência Lusa.
Segundo o porta-voz para a Economia, Balazs Ujvari, a Comissão Europeia "publicará a sua avaliação no pacote da primavera do Semestre Europeu de 2026", que deverá ser conhecido a 3 de junho, depois da publicação da atualização das previsões macroeconómicas, a 21 de maio.
A Comissão vai assim avaliar, em ambos os momentos, as medidas adotadas para aliviar "o aumento dos preços da energia", assim como aquelas que estão em curso para "mitigar os danos causados por tempestades".
Portugal, sublinhou o responsável, "não tem de notificar a Comissão para avançar com a redução temporária e extraordinária das taxas unitárias do ISP", mas Bruxelas "acompanha regularmente os desenvolvimentos da política orçamental nos Estados-membros e toma nota deste tipo de anúncios".
"Tal como todos os outros Estados-membros, Portugal terá de reportar no seu relatório anual de progresso de 2026 as medidas de política orçamental com impacto entre 2023 e 2026".
Na segunda-feira, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, mostrou-se convicto de que a Comissão Europeia "não tenha qualquer objeção" ao desconto no ISP do gasóleo, por ser "extraordinário e temporário".
Foi na passada sexta-feira que o Governo anunciou uma redução temporária e extraordinária de 3,55 cêntimos por litro no ISP aplicável, no continente, ao gasóleo rodoviário.
Irão promete bloquear petróleo do Médio Oriente "até novas ordens"
O Irão prometeu esta terça-feira que "nem uma única gota" de petróleo sairá do Médio Oriente "até novas ordens", numa dura rejeição das declarações de Donald Trump no dia anterior de que a guerra estava "virtualmente" terminada.
"As forças armadas iranianas (...) não permitirão a exportação de um único litro de petróleo da região para o campo inimigo e seus aliados até ordem em contrário", declarou Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica.
O regime iraniano pretende utilizar plenamente o seu controlo sobre o estrategicamente importante Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
"Os esforços para reduzir e controlar o preço do petróleo e do gás serão temporários e inúteis. Em tempo de guerra, o comércio depende da segurança regional", acrescentou o porta-voz da Guarda Revolucionária, segundo a agência de notícias Tasnim.
Bagdad não quer o espaço aéreo iraquiano usado para atacar países vizinhos
O espaço aéreo iraquiano não deve ser utilizado para lançar ataques contra países vizinhos, afirmou o primeiro-ministro iraquiano, Mohammad Shia al-Soudani, esta terça-feira, durante uma chamada telefónica com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Na sua ligação a Rubio, o primeiro-ministro iraquiano enfatizou "a importância de garantir que o espaço aéreo, o território e as águas territoriais do Iraque não são utilizados para ações militares contra países vizinhos ou em qualquer outro lugar da região", segundo um comunicado do gabinete de Soudani.
O primeiro-ministro rejeitou "qualquer tentativa de arrastar o país para os conflitos em curso", bem como "qualquer violação do seu espaço aéreo por qualquer das partes" envolvidas.
O Irão exerce uma influência considerável no Iraque, onde apoia grupos armados cujo papel político e económico tem crescido nos últimos anos.
Durante décadas, os líderes do país têm mantido um equilíbrio delicado, esforçando-se por conciliar esta aliança com Teerão com uma parceria com Washington.
Por seu lado, Marco Rubio condenou "os ataques terroristas levados a cabo pelo Irão e pelas suas milícias aliadas no Iraque", particularmente contra a região autónoma do Curdistão, no norte do país, segundo um comunicado do Departamento de Estado dos EUA.
Exortou o Iraque a "tomar todas as medidas necessárias para proteger o pessoal e as instalações diplomáticas dos EUA".
No sábado, rockets disparados contra a embaixada dos EUA em Bagdad foram intercetados pelas defesas aéreas.
Países do Médio Oriente reduzem produção diária de petróleo
A Arábia Saudita reduziu a produção de petróleo entre 2 milhões e 2,5 milhões de barris por dia, e os Emirados Árabes Unidos cortaram a sua produção em 500 mil a 800 mil barris por dia, informou a Bloomberg News esta terça-feira.
Sirenes ouvidas em Jerusalém após alerta de mísseis iranianos
Sirenes foram ouvidas esta terça-feira em Jerusalém após um alerta militar israelita sobre mísseis iranianos, revelaram jornalistas da AFP presentes no local.
Combustíveis aumentam 30 por cento no Egito
O Egito anunciou na terça-feira um aumento de até 30% no preço dos combustíveis devido às pressões "excecionais" nos mercados globais de energia provocadas pela guerra no Médio Oriente.
O conflito "levou a um aumento significativo dos custos de importação e de produção interna", explicou o Ministério do Petróleo em comunicado.
Irão ataca refinarias em Israel
O exército iraniano afirma ter atacado refinarias e depósitos de combustível em Haifa, Israel, com drones em retaliação pelos "ataques a depósitos de petróleo no Irão".
Sistema de defesa aérea Patriot implantado no centro da Turquia
A Turquia anunciou esta terça-feira a implantação de um sistema de defesa aérea Patriot no centro do país, um dia depois de a NATO ter intercetado um segundo míssil disparado do Irão em direção ao espaço aéreo turco.
A região alberga a base aérea americana de Kurecik, que possui um radar de alerta antecipado capaz de detetar lançamentos de mísseis iranianos.
A implantação anunciada esta terça-feira acontece um dia depois de a NATO ter destruído um segundo míssil iraniano, o que levou Washington a encerrar o seu consulado-geral em Adana, no sul do país, e a instar todos os cidadãos norte-americanos a abandonar a região.
Além de Kurecik, também as tropas norte-americanas estão estacionadas na Base Aérea de Incirlik, uma instalação da NATO no sul da Turquia, a 10 quilómetros de Adana.
A presença das bases de Incirlik e Kurecik é uma questão extremamente sensível na Turquia, como demonstra a detenção, no final de fevereiro, de três jornalistas turcos acusados de violar a "segurança nacional" por divulgarem imagens da base de Incirlik logo após o início dos ataques contra o Irão.
Israel está a "partir os ossos" do poder iraniano e "ainda não está terminado"
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta terça-feira que Israel tem "partido os ossos" do poder iraniano desde o início da ofensiva conjunta liderada pelos EUA, a 28 de fevereiro, mas que "ainda não terminou".
Preço do gás natural cai mais de 15% para 47 euros
O preço do gás natural abriu a hoje com uma queda acentuada de mais de 15%, para 47 euros por megawatt-hora (MWh), depois de o Presidente norte-americano ter afirmado que a guerra com o Irão pode terminar em breve.
Às 08:15 de hoje (07:15 hora de Lisboa), o preço do gás natural para entrega num mês no mercado holandês TTF, uma referência na Europa, caiu 15,16% para 47,8 euros por megawatt-hora (MWh).
Na sessão anterior, o gás natural tinha fechado a subir 5,6%, embora tenha disparado até 30% na abertura, atingindo os 69 euros.
Os preços do gás subiram cerca de 70% desde que os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irão, a 28 de fevereiro.
O gás natural, tal como o petróleo, está a subir acentuadamente, no meio de receios de interrupções no fornecimento de energia como resultado do conflito no Médio Oriente.
Na abertura de sessão de hoje, o preço do petróleo Brent caiu mais de 6%, fechando a rondar os 92 dólares por barril, um dia depois de ter disparado devido ao conflito no Médio Oriente.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o `ayatollah` Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
Teerão ameaça impedir a navegação de petroleiros a países aliados dos EUA
A Guarda Revolucionária iraniana disse esta terça-feira que o Irão não vai permitir a exportação de petróleo produzido na região para países aliados dos Estados Unidos e de Israel enquanto a guerra no Médio Oriente se mantiver.
A navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do crude mundial, está condicionada desde o início da guerra, a 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
"Qualquer país árabe ou europeu que expulse os embaixadores israelita e americano do respetivo território terá total liberdade e autorização para transitar pelo Estreito de Ormuz a partir de terça-feira", declarou a Guarda Revolucionária através da televisão estatal iraniana.
Petróleo Brent cai mais de 6% para 92 dólares por barril
O preço do petróleo Brent caiu mais de 6% na abertura da sessão de hoje, fechando a rondar os 92 dólares por barril, um dia depois de ter disparado devido ao conflito no Médio Oriente.
Às 7h00 de hoje (6h00 hora de Lisboa), o preço do Brent, referência europeia, estava a cair 6,53% face ao fecho de segunda-feira, cotado nos 92,44 dólares por barril.
A cotação do barril de Brent terminou na segunda-feira no mercado de futuros de Londres em alta de 6,76%, numa sessão de mercado altamente volátil, marcada pela escalada do conflito no Médio Oriente, mas fechou abaixo dos 100 dólares.
O crude do Mar do Norte, de referência na Europa ultrapassou os 118 dólares durante a sessão no mercado de futuros de Londres de segunda-feira, níveis que não se viam desde 2022, após a invasão russa e o início da guerra na Ucrânia, mas acabou a nos 98,96 dólares.
Os preços do crude caíram drasticamente depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter declarado na segunda-feira que a guerra com o Irão está "praticamente terminada".
Trump afirmou em entrevista à CBS que planeia "assumir o controlo" do Estreito de Ormuz.
Entretanto, o crude West Texas Intermediate (WTI) caiu hoje 6,05%, para 89,04 dólares por barril, antes da abertura oficial do mercado norte-americano.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
China, Rússia e França entram em contacto para discutir trégua
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, afirmou que vários países, incluindo a China, a Rússia e a França, contactaram Teerão para discutir um possível cessar-fogo.
"A nossa primeira condição para um cessar-fogo é que a agressão não se repita", declarou ainda Gharibabadi, durante uma entrevista divulgada hoje pela agência de notícias persa ISNA.
"Não iniciámos a agressão nem a guerra", disse o diplomata, em resposta aos apelos para um cessar-fogo, acrescentando que o país está a defender-se.
As declarações surgem depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, ter rejeitado, na segunda-feira, negociações de paz com os Estados Unidos (EUA).
"Estamos prontos para continuar a atacá-los com mísseis durante o tempo que for necessário e sempre que for necessário", disse o chefe da diplomacia iraniana à emissora norte-americana PBS News.
Araqchi acrescentou que as negociações com Washington "já não estão na agenda" e que o Irão está preparado para lutar "pelo tempo que for necessário".
No domingo, o ministro já tinha rejeitado apelos para um cessar-fogo imediato, durante uma entrevista com uma outra emissora norte-americana, a NBC.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na segunda-feira declarações contraditórias sobre o futuro imediato da guerra no Irão, primeiro dizendo que estava "praticamente terminada" e depois que ainda não sabia "até onde poderia ir".
Trump enumerou várias alegadas conquistas após dez dias de guerra, como o ataque a cinco mil alvos, o afundamento de mais de 50 navios, a destruição de fábricas de drones e a redução da capacidade de mísseis do regime iraniano para 10% ou "talvez menos".
Em resposta, a Guarda da Revolução Islâmica afirmou que os mísseis são "agora mais poderosos do que no início da guerra" e que tem capacidade para alargar o conflito.
"Estamos preparados para expandir a guerra; a segurança será para todos, ou a insegurança para todos. Somos nós quem determinará o fim da guerra", enfatizou o corpo militar de elite, num comunicado divulgado pela agência de notícias iraniana Fars.
Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irão.
Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.
Os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita reportaram hoje novos ataques contra os seus territórios no décimo primeiro dia da guerra no Irão.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou, através da rede social X, que as defesas aéreas intercetaram vários mísseis e drones vindos do Irão e pediu à população para "seguir as instruções de segurança".
A Guarda Nacional do Kuwait "intercetou e abateu com sucesso seis drones" nos setores norte e sul do país, anunciou a agência de notícias estatal.
O Ministério do Interior do Bahrein, por sua vez, pediu à população que se dirigisse "ao local seguro mais próximo" e mantivesse a calma. Os alertas de ataque aéreo soaram em todo o país, embora as autoridades ainda não tenham relatado nenhum ataque específico.
MNE chinês pede cessar-fogo em conversas com homólogos do Bahrein e Kuwait
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu hoje um cessar-fogo imediato e diálogo para resolver a crise no Médio Oriente, em conversas telefónicas com os homólogos do Kuwait e do Bahrein.
Wang indicou na conversa com o homólogo do Kuwait, Yarrah Yaber al Ahmad al Sabah, que o conflito atual "constitui uma guerra que nunca deveria ter eclodido e que não beneficia nenhuma das partes", de acordo com um comunicado publicado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
O diplomata chinês sublinhou que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irão sem autorização do Conselho de Segurança da ONU e enquanto as negociações entre Washington e Teerão ainda estavam em andamento, o que constitui uma "violação do direito internacional".
Wang afirmou que a soberania, a segurança e a integridade territorial dos países do Golfo devem ser plenamente respeitadas, ao mesmo tempo que sublinhou que qualquer ataque contra civis ou alvos não militares "deve ser condenado".
"A prioridade imediata é parar as operações militares e evitar que o conflito se alastre ainda mais", acrescentou o ministro.
O chefe da diplomacia chinesa afirmou ainda que vários países do Golfo têm defendido a resolução das tensões através do diálogo, uma posição que Pequim aprecia, e reiterou que a China continuará a promover esforços diplomáticos para reduzir as tensões na região.
Wang indicou que o enviado especial do Governo chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, já se encontra na região para realizar esforços de mediação e que manterá contactos com os países envolvidos.
O ministro chinês lamentou, em conversa com o homólogo do Bahrein, Abdulatif bin Rashid al Zayani, que "a situação no Golfo se tenha deteriorado drasticamente" e que a segurança do país insular "tenha sido comprometida", uma conjuntura que "preocupa profundamente" Pequim.
Wang indicou a Al Zayani que o enviado especial chinês visitará o Bahrein durante a viagem pela região, que já o levou no domingo a reunir-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan, em Riade.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein declarou que o país "sempre defendeu a paz" e "não deve ser afetado por ataques ilegais", de acordo com o comunicado chinês.
O ministro do Kuwait afirmou a Wang que o país "não faz parte" da guerra, embora "tenha sido afetado" pelas repercussões, e sublinhou que os Estados do Golfo "continuam empenhados na resolução de disputas através do diálogo", embora "não renunciem ao seu direito legítimo à autodefesa".
Os diplomatas garantiram a Wang que continuarão a tomar medidas para garantir a segurança das instituições e cidadãos chinesas nos seus territórios, depois de o Irão ter respondido aos bombardeamentos por parte de Israel e dos Estados Unidos com ataques a países da região, entre os quais o Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
A China, principal parceiro comercial de Teerão e maior comprador de petróleo, condenou repetidamente os ataques ao Irão por parte dos Estados Unidos e de Israel por "violarem a soberania" do país persa.
As autoridades chinesas têm também defendido nos últimos dias a "manutenção da segurança das rotas marítimas", tendo em conta que 45% do petróleo importado pela China chega através do Estreito de Ormuz.
Seul opõe-se a mudança de recursos militares dos EUA para o Médio Oriente
O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, declarou hoje que Seul se opõe a uma possível realocação de equipamento militar dos EUA na Coreia do Sul para o Médio Oriente.
"Manifestámos a nossa oposição [ao envio], mas também é uma realidade que não podemos forçar a sua imposição completa, de acordo com a nossa vontade", disse Lee durante uma reunião do Governo, transmitida em direto.
As declarações de Lee surgem numa altura em que a imprensa sul-coreana noticiou a transferência de baterias do sistema de mísseis Patriot para a Base Aérea de Osan, localizada em Pyeongtaek-si, ao sul de Seul, provenientes de outras bases norte-americanas na Coreia do Sul.
A decisão alimentou especulações sobre um possível destacamento subsequente do armamento para as zonas de conflito entre Washington e Israel contra o Irão.
O Presidente da Coreia do Sul esclareceu, no entanto, que uma eventual transferência de recursos não deveria representar um problema sério para a estratégia de dissuasão contra a Coreia do Norte e realçou que o país tem capacidade militar suficiente para garantir a sua defesa.
Até à data, nem as Forças Armadas dos EUA na Coreia nem a Coreia do Sul confirmaram se as alegadas transferências internas de armamento estão ligadas a um destacamento para o Médio Oriente ou ao exercício militar conjunto em curso.
Tanto os responsáveis do Ministério da Defesa sul-coreano como os responsáveis das forças norte-americanas se recusaram a comentar a transferência ou o reposicionamento de recursos militares, alegando razões de segurança.
Também hoje, Kim Yo-jong, irmã do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, afirmou que os exercícios militares em curso entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos representam uma ameaça à estabilidade regional.
Num comunicado citado pela agência de notícias estatal norte-coreana KCNA, a influente dirigente disse que as manobras constituem um "jogo de guerra provocador e agressivo", que poderá "ter consequências terríveis e inimagináveis".
Os "inimigos" do país, Coreia do Sul e Estados Unidos, "nunca devem testar a nossa paciência", alertou ainda a irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un.
O exercício anual Escudo da Liberdade resultará numa "maior destruição da estabilidade regional" num contexto de "recentes crises geopolíticas globais", disse Kim Yo-jong.
Os exercícios estão a decorrer "num momento crítico, quando a estrutura de segurança global está a colapsar rapidamente e as guerras estão a eclodir em diferentes partes do mundo", acrescentou a dirigente.
Kim Yo-jong atribuiu a situação às "ações imprudentes de bandidos internacionais ultrajantes", numa aparente referência aos Estados Unidos e a Israel.
A irmã do líder da Coreia do Norte condenou os ataques contra o Irão como um "ato ilegal de agressão" que revelou a natureza de Washington, que descreveu como desonesta.
Negociações deixam de estar na agenda da diplomacia iraniana
- Depois de o presidente norte-americano ter agitado a ideia de que a ofensiva contra o Irão estaria "praticamente concluída", o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros veio deixar claro que as Forças Armadas do país estão preparadas para prosseguir a retaliação durante o tempo que for necessário;
- O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, assinalou também que a via das negociações com os Estados Unidos não está, nesta fase, na agenda do regime;
- Donald Trump descreveu a guerra como “uma excursão de curto prazo”, numa aparente inversão do discurso. Anteriormente, o presidente dos Estados Unidos havia acenado com a perspetiva de várias semanas de conflito. “Já ganhámos de muitas formas, mas não ganhámos o suficiente”, ressalvou;
- Na perspetiva da Administração Trump, a ofensiva só terminará quando Teerão deixar de dispor da capacidade em armamento para atacar alvos norte-americanos, israelita ou de aliados;
- Donald Trump escusou-se a esclarecer se o novo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, é agora um alvo a abater, dizendo-se, por agora, “desapontado” com a escolha;
- Depois das declarações do presidente dos Estados Unidos, os preços do petróleo dispararam em 20 por cento, estabelecendo um máximo de quatro anos, regressando em seguida à fasquia dos 90 dólares por barril. Face à volatilidade do mercado, Teerão recorreu à ironia para reprovar a ofensiva de que é alvo, chamando-lhe “operação erro épico”;
- A Guarda Revolucionária do Irão garante que Teerão não vai permitir que “um litro de petróleo” seja exportado a partir da região enquanto a ofensiva israelita e norte-americana prosseguir. A Casa Branca garante que haverá ataques redobrados caso o fluxo de petróleo através do Estreito de Hormuz seja interrompido;
- O barril de Brent, referência para Portugal, sofreu na segunda-feira a maior valorização de sempre num só dia. Aumentou 34 por cento, para mais de 119 dólares. Ao longo da tarde, o preço aliviou, mas manteve-se muito próximo dos 100 dólares por barril;
- O gás natural registou também uma forte valorização, de quase 37 por cento. Em termos acumulados, o preço está agora 90 por cento acima dos valores registados antes do ataque ao Irão;
- Entretanto, Israel desencadeou, já esta terça-feira, uma segunda vaga de bombardeamentos sobre o Irão, oficialmente direcionados a “alvos terroristas” na capital, Teerão;
- Em simultâneo, as Forças de Defesa de Israel mantêm a ofensiva contra o Hezbollah, no sul do Líbano. Estes ataques já mataram, desde 2 de março, pelo menos 486 pessoas, incluindo 83 crianças, segundo as autoridades libanesas;
- Novos ataques com mísseis e drones do Irão visaram, nas últimas horas, Israel, bases dos Estados Unidos no Médio Oriente e infraestruturas energéticas no Golfo;
- A Síria denunciou o lançamento de artilharia pelo Hezbollah a partir do Líbano em direção ao território sírio, no meio do conflito entre Israel e o movimento xiita libanês apoiado pelo Irão;
- Caças britânicos Typhoon intercetaram drones que se dirigiam à Jordânia e ao Bahrein, de acordo como Ministério da Defesa do Reino Unido. A Turquia indicou que as defesas da NATO abateram um míssil balístico no seu espaço aéreo, no segundo incidente do género no espaço de uma semana;
- A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da seleção feminina de futebol do Irão, consideradas como traidoras no seu país após se recusarem a cantar o hino iraniano antes de um jogo;
- Uma centena de portugueses estão na Tailândia sem saber quando e como vão regressar a Portugal. Os voos, com escala no Catar ou em Abu Dhabi, foram cancelados por causa da guerra;
- Na segunda-feira, chegaram a Lisboa 61 passageiros num voo militar - 54 eram portugueses provenientes de Catar e Arábia Saudita. O Governo não está a planear mais voos de repatriamento, pelo menos para já. A decisão prende-se com o facto de os aeroportos já estarem a realizar alguns voos comerciais.
Portugueses retidos na Tailândia
Cerca de uma centena de portugueses estão na Tailândia sem saber quando e como vão regressar a Portugal.
Queixam-se de não estar a receber apoio das autoridades portuguesas.
Trump diz que conflito no Irão vai "terminar rapidamente"
O presidente dos Estados Unidos diz que a guerra contra o Irão vai "terminar rapidamente". Donald Trump discursou, na noite de segunda-feira, num retiro de congressistas republicanos onde anunciou que os EUA atingiram mais de cinco mil alvos no Irão.
Insiste que o Irão se preparava para atacar primeiro.
Trump acredita que novo líder supremo do Irão traz "mesmos problemas"
Donald Trump admitiu que ficou "desapontado" com a escolha do novo Líder Supremo do Irão. O presidente dos Estados Unidos diz que a escolha vai "trazer os mesmos problemas".
Eurogrupo prepara-se para "longa instabilidade" devido ao conflito no Médio Oriente
A Zona Euro deve preparar-se "para uma longa instabilidade" provocada pela guerra no Médio Oriente. O aviso é do presidente do Eurogrupo, que diz que existem ferramentas para responder a uma possível escalada dos preços da energia.
Médio Oriente. Diplomacia europeia tenta travar a escalada da guerra
A guerra contra o Irão está no centro das preocupações da União Europeia.
Bruxelas receia uma nova crise energética,.
Reportagem dos correspondentes Paulo Dentinho e Rui Manuel Silva
NATO interceta ataque iraniano dirigido à Turquia
A NATO abateu mais um míssil disparado pelo Irão contra a Turquia.
Israel e Estados Unidos prosseguem com os bombardeamentos ao território iraniano.